quinta-feira, 9 de julho de 2015

"Altar ou Átrio?" - 7º Capítulo

Quando o obreiro parou na minha casa, sorriu para mim e disse:
- Até amanhã
Desapertei o cinto de segurança e olhei para ele que me encarava com aqueles olhos enormes verdes e com o seu sorriso de sempre. Sorri para ele e sai do carro. Mas o que estava acontecendo comigo? Não estava acreditando. Eu, Débora, aquela menina que outrora era muito tímida, que sempre ficava escondida admirando os meninos de longe, nunca se tinha aproximado de nenhum rapaz na escola nem em lugar nenhum estava gostando do seu líder de tribo. Quando cheguei no meu quarto fiz uma oração:
"Deus, eu sei que sou nova ainda para me preocupar com minha vida sentimental, eu sei que o senhor tem alguém reservado para mim, mas será que é o obreiro Leandro? Por favor me ajuda a saber o que tenho que fazer." Comecei a distrair a minha cabeça para não ficar pensando só nele, assim Deus não iria falar comigo de qual a vontade dEle. 
No sábado fui fazer mercado com a minha mãe e me atrasei para o FJU, a conexão começava 18hrs e eu estava indo para a igreja 17h50 o que era tarde sendo que eu era auxiliar do líder... Quando estava no caminho o obreiro Leandro ligou para mim:
- Débora? Cadê você? - ele disse com voz de chateado 
- Oi obreiro, eu sai para ir no mercado com a minha mãe e dai a gente se atrasou. 
- Tá, chega rapido, tchau. - e desligou sem me deixar falar mais nada.

Quando cheguei na igreja, já tinha começado a primeira oração. Fui devagar para não fazer muito barulho e fiquei perto dos jovens da minha tribo. O Pastor falou tudo o que precisava ouvir. Falou muito sobre a vida sentimental, e que primeiro tinhamos que priorizar a vida Espiritual e só quando tivéssemos condições quer financeiras quer espirituais é que deveríamos procurar alguém para casar. 

Passaram cinco meses.
Nestes cinco meses muita coisa aconteceu. O Bispo mandou levantar de colaboradores todos os que estavam na aula de candidatos a obreiros. Já estava de colaboradora fazia uns 2 meses. O Pastor do FJU me colocou como líder principal da tribo que outrora eu ajudava o obr. Leandro e colocou ele como líder principal do FJU da nossa igreja, então eu já não passava tanto tempo com o obreiro o que tornou mais fácil esquecer aquele sentimento e deixar para depois. 

Até que um dia estava eu reunida com as meninas da minha tribo. Eu reunia com elas toda sexta antes da reunião e sempre passava para elas algo que Deus havia falado comigo na semana. Depois de reunir com elas, elas foram sentar para a reunião e eu fui vestir meu uniforme para trabalhar na reunião. Já uniformizada passei na sala de campanha e estava lá o Pastor.
-Débora?
-Sim senhor.
-Pode trocar seu crachá, a partir de hoje será obreira. O Bispo mandou levantar vocês todos, mas se der problema estão fora.
-Não vou dar problema, pastor, pode confiar!

Fiquei tão feliz!

À saída da sala de campanha estava o obr. Leandro que logo me disse:
- E aí que sorrisão é esse?
- O Bispo falou para o Pastor nos mudar os crachás.
- Parabéns guerreira! Fico feliz por você. Ainda me lembro de ti chegando na terapia do amor naquela quinta feira.
- Sério? O senhor já me conhecia antes?
- Como não reparar?
- Olha eu vou me arrumar para a reunião, até mais.

Aquela frase "como não reparar" foi meio estranha... Mas não liguei e fui para a reunião.
No fim da reunião estava atendendo uma jovem e quando ela se despediu de mim o obreiro Leandro apareceu do nada.
- Oi obreira, a senhora tem um tempinho para mim? - ele disse quase rindo
Não aguentei e ri. 
- Sempre me fazendo rir... - as minhas bochechas ficaram vermelhas e olhei para baixo.
Ele pediu para eu olhar para ele e disse:
- Preciso falar contigo, é sério.

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