Embarquei no fim daquele mês para São Paulo.
Quando cheguei contei tudo para o meu pai e minha irmã, eles me apoiaram e me deixaram ficar lá o tempo que eu precisasse.
Por mais que eu tenha sido fria no modo de falar com o Leandro, o término de uma relação não é fácil para ninguém. Mas Deus estava cuidando do meu coração...
Passaram três meses, ainda em SP. Eu estava cada dia que passava mais focada no Altar, sempre procurava servir a Deus nas reuniões com o meu melhor. Me sentia tão bem ao chegar a casa cansada, mas feliz e realizada porque havia servido com o meu melhor naquele dia.
Até que um dia normal, aliás uma quarta-feira após a reunião, o Pastor responsável pela evangelização me chamou e disse que eu iria ajudar o iburd Pedro no núcleo que iria começar no dia seguinte (quinta).
Gostei imenso da ideia! E quinta feira lá estava eu, na catedral esperando o iburd (na verdade eu nem sabia quem era esse iburd kkkk). Passou um montão de iburds, e estavam todos parados na fachada da catedral. Agora como saber quem seria o Pedro? Rsrsrs'
Perguntei para um deles qual era o Pedro e ele me disse onde o tal Pedro estava. Cheguei perto dele e logo descobri quem ele era.
E gente, ele era muito bonito mesmo!!
Todas as quintas, nos encontrávamos e íamos para o núcleo, nos aproximou muito mesmo. Estava a crescer um interesse dentro de mim, mas eu não queria nem ia tomar o primeiro passo. Então para ser ainda mais notada por ele eu comecei a trabalhar nas reuniões que ele fazia, que era de terça e sexta às 12hrs. Até que mais ou menos uns dois meses depois de termos começado o núcleo ele me perguntou se eu queria orar com ele e claro que aceitei. Dois meses depois, o Bispo do estado autorizou nosso namoro.
Passaram mais três meses e não estava sendo fácil aquela relação, eu me tornei controladora demais por estarmos numa igreja grande e ele precisar de conviver com várias obreiras, o que me tornou numa pessoa muito ciumenta. O que me fez muito mal. Ao mesmo tempo que eu me queria aproximar dele, os meus ciumes o afastavam. Eu sempre estava lutando para não ser ciumenta, mas mal podia ver uma obreira olhando para ele que os ciumes me consumiam. Era algo fora do normal, mesmo... Nos distanciávamos mais a cada dia por minha causa.
Até que um dia, só com três meses e meio de namoro, ele me chamou no fim da reunião e me falou num tom de chateado:
- Débora, não estou mais aguentando os teus ciumes, eu não te dou razão nenhuma para isso. Para de criar coisas onde não existem. Eu te amo, só a ti, não amo mais ninguém. Precisas confiar em mim. Porque se esses seus ciumes não terminarem, acho melhor nosso namoro terminar.
Fiquei estática, a olhá-lo. Ele raramente me chamava de Débora, ele me criou vários apelidos fofos como Debbie, Deb, Dedé... Me senti muito triste ao ouvir aquelas palavras vindas dele, eu sabia que ele estava certo, mas aquilo estava doendo o meu 'eu', o meu orgulho. Naquele momento quis um lugar para me esconder.
Não consegui conter as lágrimas, e respondi no meio de soluços e choro:
- Desculpa, eu não queria que fosse assim. A verdade é que eu tive tanto medo de te perder que essa foi a minha maneira de lidar com a perda do Leandro, me apegando demais com medo de perder.
- Você ainda o ama? - perguntou ele.
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